Serra da Freita - Caminhos do sol Nascente...

05/08/2012

Trilho dos Incas


Partimos para a Serra da Arada na sexta-feira, ao final do dia, e acampámos no Parque da Fraguinha. Pela manhã eu, o Pina Jorge e o Francisco levantámo-nos bem cedo e preparámos o material para uma das mais bonitas caminhadas que se podem fazer na Serra da Arada, O 'Trilho dos Incas'.

Já fizemos este trilho diversas vezes, em ambos os sentidos, de Verão e de Inverno, em autonomia pelo que já sabíamos que não iria ser um percurso fácil, que ia ser um percurso longo e que iriamos penar um bocado para o realizar. A este cenário faltava saber o estado dos trilhos. 

Após a chegada do Amaral e do Luís partimos na direcção do parque eólico que fica em frente à Fraguinha.

Já nas eólicas fizemos a primeira análise do terreno que queríamos percorrer. A decisão foi descer a encosta até ao Pego (a descida é pela famosa formação geológica conhecida pela 'Garra').

A entrada na encosta não foi simpática. Não se vislumbra qualquer trilho, pelo que, fomos escolhendo, por entre o tojo, a melhor forma de descer, utilizando pequenas linhas de água com cascalho, escondidas entre o mato.

Passada esta primeira parte, e já em plena encosta, seguimos pela sua cumeada seguindo algumas mariolas que já não indicam caminho nenhum, mas ajudam  na orientação.

A encosta desce constantemente mas na fase final a descida é mesmo acentuada, já com o Rio Paivô e o lugar do Pego à vista. Nesta parte a descida tem que voltar a ser improvisada por entre o tojo, tendo como objectivo alcançar o rio.

Chegados ao rio e após um breve descanso, para comer e beber qualquer coisa, iniciámos a subida ao Alto de Regoufe, passando pelo Pego, pela velha e degradada ponte de madeira e subindo a longa e íngreme encosta, que fica no lado oposto ao caminho que descemos.

Já no alto descemos para a povoação de Regoufe. Ainda subimos a aldeia para beber uma cervejinha fresquinha e arranjar água, mas o café estava fechado. Isto não ajudou a animar o grupo já cansado.

Continuámos em direcção a Covelo de Paivô pelo trilho empedrado. Esta parte do percurso, apesar de bonita, moeu a paciência do grupo. O facto de ser quase sempre descendente fez doer joelhos e tornozelos. Na passagem em Covelo aproveitámos para encher as garrafas, já quase vazias, com água de um fontanário.
O calor, a subida que se avizinhava e as horas de marcha ainda a fazer aconselhavam vivamente a que todos tivessem água em abundância.

Descemos ao rio Paivô e antes da subida deliciámo-nos com um belo e refrescante banho. Foi um bom momento de relaxe que ajudou a baixar a temperatura dos corpos e a aliviar um pouco os músculos doridos.

O pior viria a seguir, após atravessar o rio e iniciar a subida pela encosta que nos levaria à Póvoa das Leiras (novamente pela famosa 'Garra').

A subida na fase inicial é terrível. Começa num ziguezaguear para depois passar a subir na 'vertical'. Durante uns bons e largos minutos aquela subida interminável desgasta qualquer um. Finalmente começa a contornar a serra dando lugar ao velho trilho de pé posto.

Claro que a subida não acaba ali. Agora só nos restava subir toda a encosta até entrarmos na parte do caminho que dá o nome ao passeio. O 'Trilho dos Incas'.

Esta parte foi delicada, dado que um dos elementos começava com dificuldades acrescidas e com problemas físicos. E o panorama do que faltava não era muito animador.

Com muita força de vontade e com espírito de grupo lá fomos subindo, parando para descansar e refrescar, e voltando a subir até à mariola que nos indica o desvio para o trilho que nos levaria à Póvoa das Leiras. Dado o estado físico do nosso companheiro de aventuras, dois dos elementos seguiram para a Fraguinha enquanto os outros seguiram mais calmamente até à povoação da Póvoa das Leiras.

Para cúmulo até o café da povoação estava fechado. O desejo de uma cervejinha geladinha não era para ser concretizado neste passeio.

Ao todo foram 9 horas de marcha dura para quem ficou na Póvoa das Leiras e 10 horas para os que foram à Fraguinha buscar os carros.

Estou certo que, tal como das outras vezes, o 'Trilho dos Incas' deixou marcas em todos os participantes, mas também é um passeio de excepção. Vale pela beleza das paisagens, pelos trilhos que percorre, pelas zonas onde não há trilhos e pelo esforço físico e até psicológico a que somos submetidos.

A repetir? Mal seria que não!


4 comentários:

Sei que doeu a todos, um pouco mais a uns que a outros, mas a 'cura' é continuar a fazer actividades para na próxima vez (sim leram bem, na próxima vez), não custar tanto.

Já estou pronto para a Marcha da Estrela!

Venha ela!

A caminhada mais difícil das que já fiz, e não são tão poucas como isso e durante muitos anos,não teria conseguido sem a vossa preciosa colaboração.
Claro que estou preparado para outras, vamos a elas, mas Calé VPC.
Um abraço para todos,

Pina Jorge

Foi realmente duro mas há lá coisa melhor que superarmos as n/ dificuldades?
Destaco o grande espírito de camaradagem e embora dois elementos tivessem menos 3 ou 4 km de marcha pois ficaram em Póvoa das Leiras, recordo que carregaram a mochila extra durante algum tempo, a subir.
Grande jornada!

Amaral, ficas mesmo bem de lencinho...
Também gostaria de ter dito "Calé, VPC" mas o mês de Agosto é sempre complicado (compromissos com a família).
Já há data para a Serra da Estrela?